
Escola de samba no Amazonas
Liguei a tevê na segunda-feira gorda de carnaval e encontrei o Dallas Mavericks enfrentando o Boston Celtics pela NBA, e uma coisa me chamou a atenção. O espetáculo do basquete profissional americano, um dos símbolos da cultura ali, é coisa de bolsos privados. O ginásio é o American Airlines Center, o estacionamento é pago, a transmissão é da ESPN (paga), o patrocinador é a Budweiser, os times são empresas. E o mundo inteiro paga pra ver.
A comparação é esdrúxula, mas inevitável quando uma emissora de tevê local precisa prometer que vai devolver o dinheiro público que embolsou para transmitir o portentoso desfile das escolas de samba de Manaus – e não o transmitiu.
Nada contra o carnaval, mas por que fazer versinho mal rimado com dinheiro público? Se o dinheiro público deixasse de irrigar escolas de samba, festivais rococós e times de futebol nenhum deles existiria, e ninguém morreria por isso. Afinal de contas, que produção cinematográfica amazonense nasceu com o festival de cinema? Que escolinha de canto lírico surgiu com os festivais de ópera? Que alegrias trouxe o nosso futebol nos últimos anos?

Escola primária no Amazonas
O episódio do carnaval paulistano, onde a Prefeitura investiu R$ 23 milhões, carece de tanta explicação? No Rio de Janeiro, a luta é para que a festa fique livre das garras de bicheiros, traficantes e milicianos. É gente demais, além do poder público, querendo ‘bancar’ a festa. Então o que os governos têm que fazer pagando pelo desfile? O carnaval carioca continuará mesmo sem dinheiro público. Quando é preciso que se paguem tevês paraestatais para transmitir o espetáculo, o produto não presta.
E quando o produto não presta, quem põe dinheiro nele está mal intencionado. Estão aí os índices de prestígio das escolas de samba de Manaus para provar. Estão aí também os índices de desenvolvimento do ensino público. No interior do Amazonas, há escolas em que os alunos estudam com os pés na lama.
Quem precisa de ajuda no Amazonas não é escola de samba.
É escola de português e matemática mesmo.
Foto: G1 Amazonas
muito bem colocado, nessa politica de pão e circo não há pais que vá pra frente, quanto menos qualidade de ensino, menos consideração para com o trabalho do professor, menores condições para a os profissionais da medicina atenderem com dignidade à população, dentre outros tantos “menos” que existem em todas as áreas, maiores e mais profundos os abismos que separam a grande maioria dos brasileiros das regiões norte e nordeste, da minoria privilegiada das demais regiões do país.