Higienópolis não é aqui
by Ismael Benigno

Foto: Antônio Menezes / A Crítica
A primeira incursão da intelectualidade amazonense na análise da questão haitiana em Manaus saiu hoje, num artigo da jornalista Mazé Mourão, intitulado genialmente ‘O Haiti não é aqui’. No texto, a imortal da Academia Amazonense de Letras esculhamba a invasão de haitianos em Manaus e, em tom de reclamação, escreve: “A cidade está um verdadeiro contraste de cores, rostos e roupas”. O texto segue, falando na esperteza dos refugiados ao tomar vagas de manauaras, nos ônibus e no mercado de trabalho, e tasca um dos maiores clássicos paulistas contra migrantes nordestinos: “Por que os haitianos não ficam em Tabatinga ou vão povoar outros municípios amazonenses?”
Manaus realmente anda esculhambada, mas é de longe o melhor dos municípios amazonenses pra quem precisa de emprego, casa e dinheiro. Não fico feliz em ver tanta gente chegando à cidade também. Meu instinto humanitário não vai muito longe, e consigo enxergar, ali na esquina, problemas sociais como violência, emprego e moradia explodindo no colo da cidade.
O componente racial atrapalha a discussão, porque qualquer crítica é creditada ao racismo. O perigo maior da ‘invasão’ haitiana em Manaus, porém, não é social. Era o de que a questão acabasse analisada com nosso manjadíssimo elitismo de província. E o perigo se concretizou.
Vamos ter problemas à frente, como teríamos se os imigrantes miseráveis fossem brancos, asiáticos ou árabes. O mais preocupante, no entanto, é ver que a primeira manifestação da elite pensante da cidade acabou mais parecendo um chilique da socialite Narcisa Tamborindeguy contra pobres do que uma tentativa de entender o problema que ainda vamos ter. Até porque boa parte da elite econômica manauara chegou aqui – e isso Mazé sabe – só com a roupa do corpo, e hoje esbanja riqueza.
A julgar pelos indicadores oficiais comemorados pelo próprio governo, o Amazonas tem plenas condições de receber refugiados estrangeiros. Somos ricos, nosso interior é pujante, nossa produção industrial e rural é enorme, batemos recordes de emprego e temos programas sociais feitos sob medida para pessoas sem teto. Então onde está o problema?
O problema não é a diferença entre os números e a realidade, coisa que todos conhecemos. Sinal disso deu o governador Omar Aziz que, com razão, disse que precisa priorizar os problemas do povo amazonense. O problema não é saber que a capital está afundada em seus próprios problemas e que o interior está entregue à própria sorte, mesmo sem ter sofrido terremoto. O problema é transformar um problema social em discussão de champanheria.
Na discussão do quesito Haiti, Manaus começou muito mal.
O título do post é referência à psicóloga Guiomar Ferreira, que em agosto de 2010 criticou o projeto de construção de uma estação do metrô em Higienópolis, bairro chique de São Paulo, alegando que o metrô atrai mendigos, drogados, ‘essa gente diferenciada’.
Caro bloguista,
Seu post foi até interessante, mesmo que voce tenha sofrido bastante para esconder sua latente xenofobia (“Não fico feliz em ver tanta gente chegando à cidade também”). Mas acredito que voce pode se posicionar com muito mais objetividade, condenado de forma veemente o que escreveu a tal Mazé Mourão.
Nós somos gente e, sim, eles são gente também. Não há nenhuma ‘latente xenofobia’ na menção.
Meu caro Diego,
Voce leu o parágrafo?
Perceba que o bloguista, depois de afirmar que não fica feliz em ver tanta gente chegar “em sua cidade”, disse que o instinto humanitário(sic) dele não vai muito longe e que ele enxerga diversos problemas sociais “explodindo” na cidade devido a chegada dessa “gente”. Como voce pode ver, o que ele escreveu não difere muito do que a tal Mazé escreveu no lixo publicado no http://www.d24am.com
Gostei, principalmente da parte “chilique da socialite Narcisa Tamborindeguy contra pobres…”
Querido amigo, comovente resposta ao artigo da Mazé. Acho que devemos estar atentos. Muito atentos. Um abraço.
Uma pouco de luz e sensatez!!!!!!!!
Melhor parte:
“A julgar pelos indicadores oficiais comemorados pelo próprio governo, o Amazonas tem plenas condições de receber refugiados estrangeiros. Somos ricos, nosso interior é pujante, nossa produção industrial e rural é enorme, batemos recordes de emprego e temos programas sociais feitos sob medida para pessoas sem teto. Então onde está o problema?”
Na falta de planejamento prévio e destinação de recurso.
Onde moram e trabalham mais de 4 mil Haitianos que já estão em Manaus?
Sambou na cara da sociedade!! Parabéns!!
Sou leitor assíduo do Malfazejo, onde encontro sempre um espaço arejado de inteligencia, bem escrito pacas. Quando leio, fico com aquela sensa;cão: Tirou as palavras da minha boca, era o que eu gostaria de ter escrito
Boa crítica. Mazé realmente perdeu a oportunidade de ficar calada ou posicionar-se de uma forma mais democrática e social. É óbvio que era melhor se não houvesse esse fluxo migratório, mas há. O governador Omar foi bem ponderado e sensato quanto esta questão… O jeito é esperar e ver o que irá acontecer.
*Ótimo título
Mandou bem!
Era esse nível de pensamento que eu esperava. Mas…. Né?
Enfim um texto sensato depois de um carnaval de baboseiras sobre os haitianos. Concordo com vc.
Parabéns pelo artigo. Não podemos aceitar o posicionamento preconceituoso, racista e insensível da articulista. Vejo por parte da autora a clara vontade de isolar, discriminar e excluir o outro. A solidariedade deve ser a resposta de nosso país a um povo vitimado por terrível catástrofe natural. Nós os amazonenses sempre demonstramos uma característica acolhedora em relação aos que passam por essas plagas. Não à xenofobia! Sugiro à Mazé Mourão que leia a Declaração Universal dos Direitos do Homem e, se cristã for, que se penitencie e reze a Deus para que lhe perdoe e que nunca lhe permita que venha a sofrer desse “bullying social” que tenta impor aos sofridos haitianos.
Que indicadores sociais você está falando, rapaz?
SOMOS RICOS? De onde você tirou isto?
Basta andar por Manaus e você vai ver o caos que está a cidade.
Educação no nosso estado é uma merda, pelo IDEB estamos entre os piores.
Saneamento básico? Isso não existe em Manaus.
Saúde pública? Caótica.
Criminalidade? Basta pega o jornal.
Como vc escreve um texto sem pesquisar? De que indicadores você está falando? Seja preciso.
A situação em Manaus é horrível.
Nem a renda per capita (que é totalmente inflada por uma falsa industrialização) é tão alta assim.
Você já viu as invasões na cidade? Já visitou alguma?
Não é apenas um problema social e econômico. É um problema ambiental. A cidade está crescendo e derrubando nossas florestas. O tarumã já é uma grande favela.
Essa migração desordenada é uma burrice sem tamanho.
Foi com esse pensamento idiota que a cidade do Rio de Janeiro ficou cheia de favelas. E olha a condição de vida dessas pessoas. Chove e morre uma galera.
Tolo o discurso elitista, tolo também o discurso idealista.
abs
Rafael, acho que você não entendeu o sarcasmo da frase. O que ele quiz dizer foi, se o Governo nos vende uma imagem de que SOMO RICOS e tudo esta bem, onde esta o problema ? Mas sabemos que a imagem vendida não é a realidade vivenciada.
Você já morou noutra cidade? Se você conhece pelo menos o Rio de Janeiro sabe muito bem que até as -favelas- de Manaus tem melhores condições de vida! Vá morar noutro lugar vá, vá ao nordeste para você ver o que é vida ruim!
Alice, não é questão de opinião, o IDH-indice de desenvolvimento humano do Estado do Amazonas é um dos piores do paísm, não esqueça que nossa região é complexa, não se resume só a Manaus.
Esse comentário sobre “indicadores…”, o autor explia que o governo em seus discursos apresenta em momentos convenientes para ele, quando de fato não responde a realidade que vivemos. Uma grande farça política.
Ufa!
Enfim vejo um conjunto de palavras sensatas sobre esse tema.
Obrigada, Ismael!
Por mim, a cadeira da AAL pertencente preconceituosa e infeliz senhora torna-se sua hoje!
ótimo post, coerente, não radical como muitos fazem que são da linha CHE e da linha Nazi-facista. Fiz um video a respeito deste caso.
São pessoas que buscam melhorias pra sua família. Mas como são negras sofrem pelo eterno racismo e preconceito. Isso pq Manaus é uma cidade multiétinica… imaginem!!!
Estado rico sim, mas não distribuído igualmente para a população. Falácia de ambas as partes!!!!. Manaus tá inchada. Tenho dó dos haitianos, só estão a procura de melhoras para eles. Vejo todos os dias, muitos deles, a maioria homens, andando ao longo da avenida Autaz Mirim a procura de trabalho com seus rostos brilhantes e o sofrimento emanado no escorrer do suor. O Amazonas não cuida dos seus filhos, como pode adotar órfãos?
Migração é um assunto muito controverso. Faz aflorar o que há de bom e o que há de ruim nas pessoas e sociedades. A primeira violência que o migrante sofre é a quebra dos laços sociais. Aparta-se do seu berço, sua família, seu povo. Mas esse é o preço que se paga por sair pelo mundo ou por outras regiões do seu país em busca de melhores condições de vida e, se possível, ascensão social. Eu também sou um imigrante na Amazônia e sei, como muitos, o quanto ficou para trás, o quanto se perdeu.
O pior disso tudo é a reinserção social. Sábias as palavras de minha avó quando dizia: “Quanto menos dinheiro, mais estrangeiro você é. Até mesmo dentro de seu próprio país”. Quantas vezes se fizeram carreatas de gente até o aeroporto para saudar este ou aquele artista rico e famoso. Para o irmão que chega pelo porto são “os punhos fechados da vida real” como diz aquela música. Os hitianos de lá e os de cá já têm muito o que batalhar e superar para aplacar seu sofrimento. Bem que poderiam ficar livres desses que falam besteira por não ter o que fazer e de seus comportamentos xenófobos.
Parabéns pelo artigo Ismael. Trata-se de um pensamento mais crítico em relação ao problema e apresenta-se como resultado de uma reflexão, de fato, e não de uma dor de barriga, como no caso da “jornalista diferenciada”.
Não me surpreende esta demonstração de obtusidade vindo de quem vem.
De quem ganha a vida através da bajulação, e não sabe realmente o que é produzir, o que é pegar no batente, não poderia sair outra coisa.
Ela apenas está aqui replicando as idéias do grupinho seleto de gente imbecil, que não consegue concatenar uma frase completa, mas que são muito espertos para, pelos meios obscuros que já sabemos que essa cidade oferece, ganhar dinheiro o bastante para dar esmolas generosas a um séquito de bajuladores [editado].
Fazer o que…
Os índios das três etnias que formam o Brasil e principalmente Manaus, são os mais nobres em sentimento,mais intrissecamente adaptadops á natureza,mais espiritualmente elevados…não gostei de alguns termos usados na entrevistas e principal…mente quando apoiado a uma terceira pessoa a tal da Nefredite.Sou um imigrante como todos nessa cidade (Manaus)basta aprofundar-se no contexto histórico…e mais uma vez vamos ter que nos render aos índios como únicos de fato e de direito graças a Deus…se todo mundo do Haiti resolver se mudar pra cá o caos estará generalizado,não acho que temos estrutura pra deixar a torneira aberta para entrada indiscriminada de haitianos sob pena de colocarmos em jogo a ordem estabelecida…contudo acho que o tema merece mais respeito e consideração…concordo com o Governador a respeito de medidas de controle na entrada dos haitianos,concordo com a Mazé no aspecto de por que que tem que vir exatamente pra Manaus se uma série de munípios no maior Estado da nação tem carência de povoamento?mais derivar a discursão pra discriminação por raça que nem acho que tenha sido exatamente o caso,inaceitável…fico pensando…qual vai ser a contribuição dos haitianos pra Manausl…o fudu? bonecos com agulhas espetadas numa simbologia de vontade de matar ,destruir,se vingar….e ainda em pacto com o não falo o nome…?tem a vantagem do aumento do tamanho do pênis,da altura e da dentição..e o idioma?já pensou a cabocada só no co merci beaucoup !…je vais bien!Au Revoir!…Ver mais
o problema nao sao os haitianos,
e sim a incomprtencia de resolvermos nossos problemas internos.
pobreza no nordeste,educaçao e saude.
se nao cuidamos de nos,como ajudar os outros.
educaçao e a saida.
mas esta longe do alcance intelectual de nossos governantes.
Achei muito infeliz a publicação da Mazé. Realmente é difícil viver numa cidade com tantos problemas e ainda acolher mais gente tão rapidamente, mas não é por isso que precisamos ter tanta raiva. Afinal, se for para ter raiva, teríamos que ter dos paraenses (o que já causou inclusive um piti do prefeito), de nordestinos que chegaram todos juntos, principalmente à epóca da borracha e depois. Se formos parar para expulsar quem não é naturalmente do Amazonas, talvez metade da população de Manaus vá embora!
Acredito também que o comentário da Mazé em relação aos haitianos pegando ônibus no Zumbi foi sem conhecimento de causa, pois ela não deve IMAGINAR como é pegar um ônibus nos terminais de zonas norte e leste para ir trabalhar. Muito antes dos haitianos já existia uma grande falta de educação neste ponto, afinal ninguém ali respeita aquelas -supostas- filas para os ônibus.
Manaus não precisou nunca dos haitianos para ter problemas então se eles forem todos embora, os problemas continuarão aqui.
No centro de São Paulo, muitos conhecem a figura de um haitiano que chegou há pouco, atraído pela promessa de que a Copa de 2014 abriria as portas para ele conseguir emprego no Brasil. Ele não fala português. Hoje ele é mendigo e vive de esmolas. Como essa pessoa, deve haver tantos outros. Mas São Paulo acolhe cruelmente quem a procura, porque ruim com ela, pior sem ela.
Ninguém deixa seu pais -exceto as exceções à regra – p diletantismo.Quem esteve no exílio e tenho alguns amigos q sofreram isso,sabe o quanto é sofrido deixar sua casa,seus amigos,sua história…lamento e sou solidário a este momento de dor do povo haitiano.Manaus,ao contrário da minha Belo Horizonte,sempre foi cidade cosmopolita.Recebeu e continua a receber cearenses,paraíbanos,gaúchos,mineiros…paraenses…maranhenses,minha
utopia é um mundo sem fronteiras,cientes de que somos passageiros momentâneos desse planeta terra. É necessário construir alternativas p o los hermanos haitianos e outros povos que sofrem. Preconceito jamais!
Eu, pergunto a vocês:
-Quantos Haitianos voces empregaram em suas empresas?
-Quantos vocês hospedaram em suas casas?
-Que tipo de doação estao fazendo e em quais institucoes?
O Amazonas nao ‘e o Omar Aziz, Manaus nao ‘e o Amazonino…
SOMOS CADA UM DE NOS!
Imigracao desregrada e sem planejamento previo ‘e sim UM GRAVE PROBLEMA SOCIAL.
Deve haver controle por parte do governo Federal, distribuindo cotas de imigração de acordo com o que cada Estado consegue comportar.
Se Manaus vai receber um grande contingente de estrangeiros, deverá ter um planejamento prévio. Abrigos, como no pós guerra e política de incursão social e para isso é necessário verbas federais. Manaus é rica em emprego e renda, mas uma imigração descontrolada e sem regras vai colocar os Haitianos à margem da sociedade, sem garantia de trabalho e renda. E isso significa sim, AUMENTO DA POBREZA E CRIMINALIDADE.
CONCORDO EM QUASE TUDO, E PRINCIPALMENTE NO QUE TRATA DO PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DE MEDIDAS ADMINISTRATIVA DOS GOV. FADERAL, EST\DUAL E MUNICIPAL. SEM IGNORAR AS AÇÕES DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃOS. OUTRA COISA É TRANSFORMA-LO EM UM PROBLEMA SOCIAL ANTECIPADO. OS DISCURSOS OFICIAIS COMEÇAM A SEREM CONSTRUÍDO, O PRIMEIRO É DICURSO ECONOMICO, DEPOIS OS HAITIANOS SOFRERÃO COM OS DISCURSOS SANITARIAS, QUE ELES TRAZEM DOENÇAS DIVERSAS, EM SEGUIDA O DISCURSO DE SEGURANÇA PÚBLICA, SÃO UMA AMEAÇA A ORDEM PÚBLICA E POR FIM O DISCURSO POLÍTICO, AJA VISTA A APROXIMAÇÃO DAS ELEIÇÕES. SINTO QUE TEMOS BASTANTE EXEMPLOS NA HISTÓRIA DESSE PAÍS. É LAMENTÁVEL. O REAPARECIMENTO DOS MOVIMENTOS POSITIVISTAS DEPRECIADOR. O ETNOCENTRISMO MULTIFACETADO. ISSO ME LEMBRA UM TEXTO DE: NEVES, Margarida de Souza. Os cenários da República. O Brasil na virada do século XIX para o século XX. (Pag. 14 á 44). FICA SUGESTÃO POR ISSO É HISTORIA E MUITA COISA NÃO MUDOU E SIM SE TRANSFORMOU, SO MUDOU OS ATORES PQ O SENÁRIO É O MESMO E O DISCURSO É PERPETUADO.
O Amor se traduz em atos.
O que estou tentando dizer é que: A maioria de nós confortavelmente sentados em suas poltronas, usando seus laptos com internet banda larga, está emitindo opiniões a esmo.Eu mesma não fiz “”NADA DE CONCRETO”" para ajudar e me sinto culpada por isso. Vou procurar um fundo de ajuda humanitária aos Haitianos em Manaus, e fazer minha contribuição. Por mais modesta que seja, vou fazer parte…
Viu! este debate, meu caro amigo Grauben Lauschener, tem utilidade pública na busca de soluções. É PATICIPATIVO, DEMOCRÁTICO, e tráz resultados prático, o primeiro é a reflexão dos problemas q nos assolam, o segundo é a busca de solução e terceiro, motiva vc, eu e muitas pessoas a tomar alguma ação que contribua a mudar um pedacinho do mundo q nos circunda, na medida do possivel. Abraço, Max Tapajós.
1o um “estupro” em rede nacional, depois o texto – que cheira a racismo e xenofobia – da Mazé. Ambos crimes previstos em nossa codificação, mas que através dos mais repulsivos comentários, e embora revelem a face mais sórdida dos seres humanos, vestem-se de cotidiano aos olhos da nossa sociedade. Não é mudar o mundo, mas é apenas começar em casa, e eu não acho que esteja exigindo demais ou sendo sonhadora com isso. As pessoas que endossam o texto da Mazé, ou as que dizem que “ela estava bêbada e dá nisso” (no caso do BBB), são as que constroem sociedades cada vez mais sacrificada de valores e motivos nobres. Pergunto-me também como age o MP em casos como esses? Ele vai ficar calado?
Eu acho que a Nefre, a dita “empregada” da jornalista é mais humilde do que a patroa.
Além disto vi uma reportagem no GloboNews, que muitos haitianos que foram pro Acre, estão trabalhando e quando um mestre de obras foi questionado se eles trabalhavam bem, o mesmo disse que eles aprendem rápido e trabalham com prazer!
Manauaras podem ajudar haitianos com doações
Para pessoas interessadas em ajudar aos haitianos residentes em Manaus, a Pastoral do Migrante da Igreja Católica recebe doações de alimentos perecíveis e não perecíveis, roupas, sapatos, materiais de higiene pessoal e outros itens. A população também pode ajudar com doação de móveis e eletrodomésticos, como geladeira, ventiladores, cama, colchão e fogão.
As doações podem ser feitas nas Igrejas do São Geraldo, localizada na Avenida Constantino Nery, e na Igreja dos Remédios, no Centro, onde funciona o Serviço de Pastoral do Migrante.
Mais informações pelo telefone (092) 3232-7257.
por não se observa nada escrito ou divulgado em outras mídias? A tv, os jornais e nem as radios não publicam nada. Cadê as representações do jornalismo? cadê a OAB, o MP a justiça? Manifestação de Racismo e preconceito não é crime? Ou sera porque ela é da elite e tem influencia em todos os setores público?! Vai dá em alguma coisa ou sera mas uma pizza de merda e fedorenta q vamos ter que comer?! Até ancia de vômito ela provok.
Haitianos em Manaus= mais pessoas para compor exercitos de reserva… Verdade é que o mundo cobra solidariedade, o Brasil abre as portas e poucas regiões pagam o preço, virou questão racial, já era. Engraçado que alguns discursos acham mais justo defenderem os negros haitianos, do que os caboclos amazonenses, agora tidos como preguiçosos, e blá blá blá., diga-se de passagem o desastroso discurso, não partiu de uma caboquinha, mas de uma loira.. Enfim, considerando que são pessoas, independente da cor, teremos sim problemas sociais, visto que só estes tantos só estão vindo com a roupa do corpo. É tão cruel com nossos irmãos haitianos, isso me lembra a “libertação dos escravos”, quanto para quem tem suas raízes aqui, que já convive com as mazelas de uma cidade desigual.
Algum tempo venho lendo os artigos de Mazé Mourão e por considerar interessante alguns comentários sobre moda e comportamento, os considerava engraçado, mas não ia além de considerá-los engraçados, me fazia rir, seus modismos lingüísticos, sua piadas surreais, seus comentários de quem vive e convive um mundo restrito aos abastados, não demoraria eu formular um conceito ao seu respeito. Fico triste, e lamentos aqueles que considerem meu sentimento em hipocrisia, perceber que a discussão gira em torno de um artigo publicado por uma pessoa que teve acesso a uma educação que muitos nunca terão. Dessa forma é fácil deduzir que não estamos tratando de uma pessoa ignorante e ou não instruída, opõe torna a situação mais grave. A senhora Mazé é Jornalista, com espaço na mídia massa. Com acesso e capacidade formadora de opinião, isso me deixa muito mais preocupado. Como é possível alguém fazer piada com sofrimento alheio? Por que desconsiderar o motivo que levam pessoas atravessarem quase um continente inteiro, deixando para traz tudo que restou de suas vidas em catástrofe, trazendo em bolsas e sacolas restos possíveis, para um país completamente desconhecido. Quanto mais eu penso e relembro os comentários da Sra. Mazé em seu artigo e o debate aqui exposto deixa em evidencia a visão de uma divisão explicita de entre povos. Vou ser mais claro sobre esse ultimo, Gente está se criando um ambiente de hostilidade, um de um lado está os amazonenses contra a entrada dos haitianos em Manaus e de outro todos e qualquer imigrante de qualquer lugar do mundo. Isso não pode e nem deve ser VERDADE e não será. A Sra. Mazé, não representa e nunca representar ar a opinião dos manauaras e muitos menos dos amazonenses. Digo isso por que sou paraense, moro em Manaus á 15 anos, sofri muitas dificuldades adaptativas, clima, hábitos, localização e a principal, FINANCEIRA. E eu sou paraense, logo sou vizinho próximo, e mesmo assim fui acolhido e bem tratado por grande maioria das pessoas que aqui escolheram viver. De acordo com pesquisas do IBGE, GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO DE MANAUS, É NASCIDA EM OUTRAS REGIÕES E LOCALIDADES, ou seja, são imigrantes. Pessoal. É muito grave o comentário de Sra. Mazé, chego a compará-la ao infeliz comentário de um político da cidade em pleno plenário, com demonstração de preconceito de raça. Sou pobre, tenho pouco espaço físico em minha casa, a comida não é feita por uma cozinheira profissional, como a Sra. Mazé deve ter, mas como minha finada mãe dizia “a casa que acolhe um, acolhe mil e o prato que come um Tb come quantos tiverem fome. Isso por muitos pode considera irracional, por só piorar o estado que se encontra com dificuldade, para esses eu respondo que irracional é deixar alguém sem abrigo e com fome. Portanto sem hipocrisia e ou demagogia o meu pouco vira muito quando minha Fraternidade acolhe a tão buscada LIBERDADE e IGUALDADE. Minha humilde casa, que não tem carro nem piscina sempre estará aberta para quem precisa. Sab por quer com muita disposição pro trabalho, caráter e saúde se constroem em um mundo melhor. Dificuldade já existia, assim como políticos corruptos igual agrupo político a que ela pertence, demonstrada explicitamente em seu artigo, assim deixando em aberto sua ausência de imparcialidade jornalística, sua superficialidade de argumento não pautado em dados concreto e mais grave ainda ausência de solidariedade humanitária cristalizada por seu preconceito de classe e de raça. Fica aqui registrado meu repúdio ao comentário infeliz da Senhora Má Zé!. Espero que publiquem é o mínimo que se espera de um canal de debate!
Caro Ismael, o brasileiro tem a já tradicional mania de tentar camuflar a sua mentalidade e práticas racistas, jogando tudo para a “questão social”…; ela existe sim, mas no caso brasileiro nunca se dissocia completamente da questão racial, é uma variável real e indispensável tanto para a análise do nosso contexto histórico passado quanto presente e expectativas futuras.
A imigração maçica de europeus (e depois japoneses) no final do séc. XIX e por todo século XX, mais do que inserir mão de obra qualificada para a era industrial e substituição da mão-de-obra escrava na lavoura ( e não sei o “porque” de tamanha necessidade de “substituição”, já que os ex-escravos nem haviam se “extinguido” muito menos se negavam a trabalhar e receber por um trabalho que feito de graça “serviu bem” ao Brasil por mais de 350 anos), tinha na realidade o “componente racial” como base (vide “Política nacional de branqueamento” : http://amazonida.orgfree.com/movimentoafro/branqueamento.htm), hoje muito mais que antes tenta-se dissimular que a a imigração de negros não é bem-vinda, mas ainda em pleno meados do século XX , isso era descaradamente colocado inclusive na LEI : vide Decreto-lei nº 7.967/1945. cuidando da política imigratória, dispôs que o ingresso de imigrantes dar-se-ia tendo em vista “a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia.” (artigo 2º); ou seja, o argumento de que toda “preocupação” e “reservas” à imigração massiva haitiana é meramente “social” ou de priorização dos nacionais em situação de pobreza, não é plenamente verdadeiro…, é certo que o velho META-RACISMO brasileiro também se faz presente.
muito bom o texto, realmente faltava alguem falar sobre isso despido dessa caridade carnavalesca politicamente correta que só serve de fachada para pousar de bom moço. Esse é o mal que o homem bom pode fazer. também enxerguei o quadro de uma maneira ampla, fazendo uma leitura não somente do discurso do governo, nem do discurso dos refugiados, ou do povo “humanitário” que os recebeu, mas visto de um ângulo geografico, econômico, e social, tudo isso a despeito de cor, nacionalidade ou até mesmo necessidade, e olhando a mobilização que o fenômeno promoveu no intimo de uma massa que derrepente do nada se fez visivel apresentando-se de maneira tão heroíca, uma pergunta me veio à cabeça. Onde estavão essas pessoas esse tempo todo, onde escondiam esse impeto de gladiadores, onde se encontravam no dia-a-dia, enquanto seu povo passava necessidade nas periferias, nos hospitais, onde estavão no momento em que os jovens interioranos chegavam à capital em busca de um destino melhor que o dos seus familiares esquecidos em alguma margem de rio. onde estavam quando os indios foram destituidos de suas terras e muitos chegaram perdidos e sem rumo, onde estavam quando lhes faltou emprego, pão, uma camisa para vestir, uma sandalia para pisar, onde estavam os empresarios para oferecer-lhes emprego, tirando foto ao lado deles para postar no face da midia, onde estavam os advogados para ajuda-los a conseguir documentos, os professores para aprimorar seus conhecimentos, os medicos para prevenir-lhes as doenças. o que eu ouço agora é que esse povo não presta, não merece, é preguiçoso, nao sabe aproveitar as oportunidades, esse povo não quer trabalhar. esse povo isto, esse povo aquilo, “esse povo” – sempre terceira pessoa. e quem fala não faz parte “desse povo?” o problema esta posto, há que se procurar uma solução mas que seja de maneira digna para todos, que não desmereça ninguem, que as oportunidades sejam dadas a todos e que as escolhas sejam feitas equitativamente e nao porque achamos um mais ou menos merecedor, ou porque está na moda, ou porque fica bem para a imagem pessoal ou institucional, ou pior, porque achamos bonitinho os haitianos falando a sua língua, pois se continuar a ser esse o parâmetro o preconceito não será mais para com os haitianos, e sim para com ESSE povo.