Laico, porém injusto.
by Ismael Benigno
A Prefeitura Municipal de Manaus, administrada por Amazonino Armando Mendes, realizou no sambódromo, um reveillon gospel, cuja atração principal, o cantor Thalles Roberto, foi contratado pelo dobro do valor já inflacionado do seu cachê.
Muitos foram para as redes sociais e jornais questionar: “Onde fica a laicidade do município?”, “Já pode rasgar a constituição?”, “Por que a PMM está patrocinando um evento religioso?”, etc. Ponham a mão na cabeça e repitam comigo: Como assim?!?!
Podem me criticar o quanto quiserem: mas eu sou a favor da festa destinada aos evangélicos.
Naquela noite, foram mais 2 festas espalhadas pela cidade e bancadas com dinheiro municipal: Ponta Negra e Zona Leste. Eventos estes, também destinados a quem interessar possa. Mas os evangélicos não iriam (pelo menos acho que não), devido suas crenças e convicções.
Me questionaram quanto às outras crenças que foram excluídas: budistas, hinduístas, umbandistas, judeus, islâmicos, etc. Não sei! Talvez fazer uma festa pra cada. Sei lá. Mas sempre vai sobrar alguém.
Não vou me alongar aqui neste assunto e nem no já muito discutido superfaturamento da festança. O que quero frisar neste artigo é o desrespeito com os valores locais
A Fundação Municipal de Turismo – Manaustur, cujo titular – Pop da Selva – Arlindo Jr. gastou R$1,062 milhões com o “circo” no reveillon da cidade. Bruno e Marrone sozinhos levaram R$700mil, Calcinha Preta, R$200mil e Thales Roberto, R$130mil. Também tivemos artistas locais, ganhando entre R$2mil a R$4mil. Notaram a disparidade?
Temos na cidade, o espetáculo teatral “Um Sonho de Natal” da Igreja Nova Batista, todos que foram assistir saíram com a mesma impressão: Espetacular, emocionante, lindo! E pelo que me contam, não se trata de um evento destinado a uma religião em específico e sim de arte ecumênica. Pergunta: a prefeitura contribuiu para esta atração?
Papai Noel estatal, só aparece na Ponta Negra e no Largo São Sebastião. Ele podia ir nas praças dos bairros, nas escolas, nas creches, até mesmo nas ruas. Isso faria muita criança feliz e com pouco dinheiro gasto. Isso pode não dar retorno financeiro, mas dá voto. E por que não é feito? Com atitudes pequenas se podem fazer grandes realizações.
Não sou contra artistas nacionais, eles são importantes, abrilhantam nossas festas. E sei que são caros, claro! Mas, se passarmos a procurar entre nossos artistas independentes da motivação religiosa, veremos que temos muito a oferecer para nossa população. Paguem o que lhes é justo e devido, valorizem a prata da casa. Quem sabe um dia eles possam valer até mais do que um desses “medalhões” nacionais.
* Sandro Augusto é meu amigo.

Não podia discordar mais. O estado deve ser Laico, pronto, acabou, sem discussão. Se quiser patrocinar um evento religioso, seja evangélico, budista ou ecumênico mesmo, que tire do seu próprio bolso, não do meu.
Além de rasgar a constituição, ainda completou a festa superfaturando os valores.
Posso acrescentar o fato de que em uma concentração gospel não se tem (normalmente) o uso de drogas lícitas e ilícitas, baixarias, pancadarias …. Ao regressarem para suas casas, a maioria está sóbria, diferente das outras festas…