Notas de segunda-feira
by Ismael Benigno
Fauna — Por questões ambientais, moradores do bairro da Cidade Nova, em Manaus, foram obrigados a desviar o caminho de volta pra casa neste domingo, 8. É que entrou em vigor o defeso de três espécies nativas da região, ameaçadas de extinção. Durante o período de reprodução de amantes do forró, do funk ‘proibidão’ e do axé, que dura até a quarta-feira de cinzas, motoristas, pedestres e agentes públicos não podem interromper o acasalamento em público dessas espécies. Quem for apanhado buzinando, atirando objetos ou água gelada nos animais pode ser multado pela Prefeitura. (foto: Evandro Seixas / A Crítica)
Falando em Prefeitura – Pais que levaram seus filhos à Cidade da Criança, na zona Centro-sul da cidade, decidiram criar uma associação para pedir, junto à Prefeitura, sua mudança de endereço para o local. Com áreas verdes, água nas torneiras, gramado, calçadas, playgrounds, segurança, espaço e casinhas que não vão pagar IPTU, o local virou alvo da cobiça dos manauaras crescidos. Mas parte do grupo desistiu do pleito assim que o prefeito da cidadezinha surgiu no palanque de inauguração.
Solução — Promete ser um sucesso a nova campanha de desarmamento do governo de Budapeste contra o aumento nos índices de violência na capital húngara. Após receber folhetos com um ranking dos bandidos mais procurados (5º – Estupradores; 4º – Assaltantes; 3º – Sequestradores; 2º – Latrocidas e 1º – Blogueiros e tuiteiros), moradores estão ouvindo a promessa de que, com a campanha, ficarão livres da violência em poucos dias.
Não ria — Corvos e ursos também choraram a morte de Kin Jong-il, afirma a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. A notícia só não é mais ridícula porque, pensando bem, é perfeitamente possível de ser escrita qualquer hora dessas do outro lado mundo.
E pipa? — Moisés Cohen, médico responsável pelas cirurgias em Rodrigo Minotauro e Júnior Cigano, lutadores do UFC, defende que, comparados no quesito ‘qual machuca mais?’, o futebol e o MMA não diferem muito. “A maior preocupação com os esportes de contato é o trauma no crânio, que chamamos concussão cerebral, quando o cérebro se movimenta dentro da caixa craniana por causa de uma pancada. Mas isso também pode ocorrer no futebol”, diz. É importante lembrar também dos perigos do Lego. Crianças menores de três anos, brincando de blocos de montar no chão do quarto, também podem se desequilibrar e bater a cabecinha no chão. A diferença entre o futebol, o Lego e o MMA é que, nos dois primeiros, a pancada é um acidente, não o esporte em si.
Cruz e espada — Fabricantes começaram a semana lucrando com o aumento nas vendas de garrafões plásticos de 20 litros, depois que o Fantástico provou que postos de gasolina roubam os clientes abastecendo menos do que o vendido. Motoristas estão pedindo que os frentistas encham os garrafões para se certificar que não estão sendo lesados, sem saber que os fabricantes dos garrafões vendem vasilhames de 18,6 litros, em vez de 20.
Carisma — Henrique Oliveira e Sabino Castelo Branco, campeões de gastos com verba parlamentar em Brasília, são também conhecidos pela timidez com que atuam no plenário da Câmara dos Deputados. Dom Luiz Soares Vieira está mais apto para assumir uma cadeira no Congresso Nacional. Tempo de tevê, obras sociais e participação em debates sobre os temas que afetam a população, o arcebispo de Manaus tem muito mais do que os dois parlamentares. Difícil vai ser convencer a Rede Amazônica a abrir mão de sua principal notícia diária.
Belém — Vários leitores enviaram comentários ofensivos sobre o artigo “Pobre Belém”, publicado no último sábado no jornal Dez Minutos e transcrito aqui. Ameaças de processo, denúncias ao Ministério Público e adjetivos como ‘idiota’ chegaram durante todo o fim de semana. Pobres blogueiros manauaras. De um lado, a censura light, do outro, Belém.
Lembrança — Meu avô, Ismael Benigno, teria completado 100 anos na última semana. Apaixonado pelo time e principal figura do bairro de São Raimundo, foi o responsável pela construção do Estádio da Colina, sócio da rádio Difusora do Amazonas, patrono do bairro e um ‘pai’ para boa parte dos moradores ali. Morreu ajudando a todos, na porta de casa, sem mandato, só por ajudar. Fizeram falta as mínimas homenagens a um dos homens que mais amaram esta cidade. O problema de Manaus é que ela é frígida.
Apesar de poder parecer, as notas de segunda-feira não têm nada de jornalístico. São baseadas em notícias fictícias e apenas peças de humor.