Depois da sonora medalha que cravou no peito de Agripino na semana passada, Dilma foi novamente convocada para depor no Senado. Agora porque está provado que foi um funcionário de sua pasta o vazador (e possível feitor) do dossiê/banco de dados sobre FHC. A novidade, aqui, é a facilidade com que o Planalto deu seu “aval” para a presença de Dilma e de seu auxiliar José Aparecido Nunes Ferreira no Senado. Romero Jucá, líder do Governo no Senado, praticamente comemorou a nova convocação da ministra. A expectativa é de que um novo baile ocorra ali. Como se sabe, o PT morreu. E suprema ironia, sua morte foi decretada pela eleição de Lula. Portanto, é Dilma ou Dilma. Palocci caiu pela quebra do sigilo do caseiro, Dirceu caiu pelo Mensalão, Celso Daniel foi assassinado, Marta relaxou e gozou, Mercadante manchou seu currículo com as articulações para absolver Renan. Há partidos que não nasceram para ter poder, e o PT é o maior ícone da categoria. Lula, uma vez empossado, assistiu, passivamente (pra dizer o mínimo), seus companheiros caindo no caminho. O perigo agora é o de a oposição, que não é boba, ter se preparado melhor para a sessão em que Dilma vai falar. Demóstenes Torres e Heráclito Fortes, por exemplo, já devem ter mandado Agripino em missão partidária oficial para visitar as bases do DEM na Antártica, com previsão de volta apenas para depois da nova visita de Dilma ao Senado. Romero Jucá, José Sarney, Jáder Barbalho e Renan Calheiros, quem diria, os melhores amigos de Lula no Congresso, tampouco são ingênuos. Já disse Inocêncio Oliveira certa vez que no Congresso Nacional o mais burro dos parlamentares dá nó em pingo d’água. Mas o perigo aqui não é a improvável ingenuidade da base lulista de dinossauros do Congresso, e sim seu afã na busca de um sucessor viável para Lula. A seguir a lógica da história recente do Partido dos Trabalhadores, mesmo Eduardo Suplicy, eventualmente alçado ao posto de possível candidato, cairia rapidamente por suspeitas de corrupção ou “simples” crimes de confecção de dossiês, pagamento de propina a deputados ou quebra de sigilo de cidadãos comuns brasileiros.
Ismael Benigno,
Parabéns pelas materias, são ótimas..
Ass: Shirlene Fadul Jezini