Quem me conhece sabe que não odeio o Lula. Eu odeio o Presidente Lula. São duas coisas muito diferentes, ainda que Ele teime em misturá-las. Eu adoraria beber com o Lula, ouvir as histórias de sua mãe, até os ensinamentos de vida de sua trajetória – o que é um pouco mais complicado, não pela trajetória, mas pela arrogância com que ela é contada, afinal, trajetórias humildes ficam melhor contadas com humildade. Mas eu detesto o lulismo.
O que me leva, aqui, a escrever sobre Ele, depois de tanto tempo.
O porquê? Vejamos… eu lembrei de uma cena de De Volta para o Futuro, o primeiro da série, quando Marty McFly (Michael J. Fox) está tocando Angel, dos Platters, para unir, finalmente, o casal que será seu pai e sua mãe na tal volta para o futuro. Mas George, seu pai, é um banana, não sabe brigar, e quase põe tudo a perder quando deixa que lhe tomem a parceira de dança. Então tudo desanda, a família de Michael começa a sumir na fotografia à medida que a esperança se esvai. Michael fraqueja, erra os acordes, passa mal, vê sua vida terminando melancolicamente.
Mas George, seu pai banana, reage. Dá um safanão no mau elemento, salva a mocinha, volta à dança e põe tudo nos eixos. Tudo volta aos trilhos, Michael respira novamente, os rostos de sua família voltam à foto, o filme vai chegando ao fim e… enfim, o final é feliz.
Não vi a abertura do Pan, mas notícia boa corre rápido, e eu soube que o Lula tomou uma vaia de 90 mil pessoas, em pleno Maracanã. Nunca na história desse país um presidente foi vaiado por um Maracanã lotado. Eu queria ter visto, mas perdi o espetáculo.
Pra mim, aquelas vaias foram o safanão que George McFly deu no mau elemento. Eu já vinha desmilinguido, cabisbaixo, errando acordes e me despedindo da esperança quando meus 90 mil Georges tomaram as rédeas do filme e botaram tudo nos eixos – nos meus eixos. Sim, meus, porque declarar-me feliz com a humilhação pública não deve soar elegante. Mas explico. Não vi aquelas vaias como um atentado contra a honra pessoal de Lula, mas como um aviso de que a contradição ainda não morreu, que ainda há, sim, capacidade de indignação no povo. Sim, povo, pois não há explicação honrosa para o que ocorreu, afinal, o PSTU não deve ter nem mil filiados no país inteiro. Então, de onde teriam saído os 90 mil delinquentes do Maracanã? Teria a organização do evento selecionado apenas as elites para assistir ao espetáculo?
Precisava ser no Maracanã, e precisava ser num evento televisionado para dezenas de países. Este estádio, que suportou as lágrimas dos 200 mil infelizes da final de 50, precisava sediar a desforra da capacidade brasileira de dizer “não”, de protestar, de vaiar seu presidente. Um país que ainda seja capaz de vaiar em uníssono seu presidente ainda tem jeito, a aqui nem falo mais de Brasil, mas de qualquer país.
Um pouco de romance e de fábula não faz mal a ninguém. Ainda precisamos acreditar que os franzinos Georges McFly podem, sim, derrubar – metaforicamente falando, claro – os Beefs, os maus elementos. Foi como eu me senti hoje. Como Marty, com sua guitarra, recebendo um sopro de esperança depois de tantos socos no estômago.
E um sopro de esperança vindo de 90 mil bocas.
PS 1: Segundo a Globo, Lula ouviu as vaias “democraticamente”. Não fez mais do que sua obrigação. Guardemos as proporções, mas acho que já podemos chamar a Globo de “Tropa de Choque do Pan”, uma espécie de Epitácio Cafeteira dos jogos.
PS 2: E quem diria, hein!, que um dia os artifícios de edição da Vênus Platinada fossem ser usados a favor do operário barbudo!
Ele nao só tomou a vaia como iria proclamar aberto os jogos, quando desligaram o microfone dele e abriram o audio para o Nusmam fazer isso. Ao pegar no microfone as vaias comecarama asurgir, e antes que elas ficassem mais altas que a voz do Presidente a organização foi mais rapida e inteligente. Se puderem reprisar isso, dá pra ver a cara da cu do lula…
oh oh oh oh …infelizmente quem elege esse cornos sao os pobres e os vendidos por dinheiro.
Confesso que estou pedendo as forças e esperanças. Nao quero perde-las para poder ter o que dar de bom e descente pra meus filhos.
[]’s
cudi
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” . (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
Lula deve ter achado que estava no país errado. Talvez no Congo.
Abraço camarada !
Ismael, posso copiar esse texto no meu blog? Claro que vou dar todos os créditos pra vc, mas vc escreveu exatamente todos os argumentos que usei esse fim de semana, qd ouvia um ou outro chamando o povo brasileiro de mal-educado.
ps: só não concordei com as vaias para a delegação dos EUA. Achei falta de “espírito esportivo”. Mas…
Bjs
ÚÚÚÚÚÚÚ!!!! Uma vaia que lavou a alma de muitos brasilei-
ros indignados com a bosalidade de alguém que se arvora
em dizer que é o salvador da pátria.
Uma vaia linda…Pode isso !!!
Uma vaia uníssona…noventa mil vozes…Que beleza!!!
Uma vaia desmoralizante…Para espanto das Américas.
Uma vaia contra os massacre nas comunidades do Rio.
Uma vaia no fraco presidente capaxo do Evo e do Hugo.
Uma vaia que nenhuma garrafa de pinga é capaz de curar.
Uma vaia no amiguinho da Marta,Zé Dirceu,Renan & outros.
Uma vaia que ele jamais vai esquecer…Jamais!!!