
Foi aqui, meu filho, nesta rua, que eu cresci. O fusquinha da Dona Bibi continua lá, e hoje o Júnior não estendeu a bandeira do Flamengo. Ali, olhe ali, à esquerda. Foi ali, em frente à casa do Joãozinho, que eu joguei bola de gude, quando este asfalto, pintado para a última Copa do Mundo, ainda não existia. Vê, meu filho, este mesmo asfalto fez estas cicatrizes nos joelhos do teu pai, em quedas da bicicleta, do skate, no futebol e no basquete. Um dia te conto sobre cada uma delas. Num outro dia o Fábio, o Fabinho, o Márcio Rebelo, o Joãozinho e o André vão te contar que o teu pai batia faltas como o Zico. Um dia eu te falo do Zico também. Pois bem, hoje eu te trouxe aqui, pra te apresentar a minha vida. Sim, aquele Fusca, estas mesmas casas e este mesmo céu, no qual tantas vezes procurei paraquedistas, jumbos e discos-voadores, todos eles são a minha vida. Vais conhecer o Tapajós, e aquele vascaíno vai te chamar pra ouvir Nelson Gonçalves e beber cerveja. Cuidado com ele. Vais conhecer o Peruano, e aquele maluco vai te chamar pra ouvir Iron Maiden e beber cerveja, de óculos escuros, camiseta preta e meia soquete, no calor. Cuidado com ele também. Quando fores pisar neste asfalto, abre este ferrolho com cuidado, olha pros lados. Releve o mau humor da Dona Eni, da taberna, ela é gente boa – mas não se engane, ela vai me contar se apareceres por lá na companhia do Tapajós. Se um dia a Dona Rosa te presentear com o picadinho-com-macarrão dela, come devagar. Depois, como quem não quer nada, pergunta o que ela põe naquela carne. Se for preciso apelar pro sentimentalismo, diz pra ela que teu pai se viciou em picadinho-com-macarrão por causa dela, mas nunca teve coragem de pedir a receita. A dona Noêmia, o Seu João e a Rosivete não vais mais ver, mas não te preocupas, vais ouvir falar deles mesmo assim. Vou te contar da comida, das festas juninas. Vou te mostrar o campinho onde o teu pai empinou papagaios às sete da manhã, quando os outros meninos dormiam e não podiam lhe cortar com os bole-boles deles, com o “cerol do Russo” deles. Vou te mostrar a “escola da mamãe”, onde enterramos o Gato, o Rex e o Pluto. Cuidado com a escola, vão te beliscar muito as bochechas por lá, aquelas amigas da tua vó. Sei, vais crescer diferente, mais rápido. Eu só precisava te contar que foi aqui, meu filho, nesta mesma rua, que o teu pai foi um menino feliz. Vais entender isso tudo, te prometo, quando eu te mostrar os paraquedistas voando no céu feito formiguinhas, bem ali, por trás de onde agora vejo os dedinhos dos teus pés.
Beautiful
que fofo(bem gay)
faz como eu. quando a minha filha tiver 30 anos, conto minha vida dos 15 aos 30…aeeueaueueeu
antes disso, jamais. so minha infancia…aeeaueauhe
[]’s
cudi
Que coisa mais fofa! E que vontade de comer macarrão com picadinho. MAlvado! Aqui só em casa, só tem refrigerante sem gás com pão de ontonte!
lindo!!! adorei, bjs.
Simplesmente liiiindo !
Esse menino te deixou tão mansinho Ismael :)
lindo Ismael… bjos para vcs tres
saudades, Dani
Perfeito mas, “…batia faltas como o Zico…”???
Marquinhos, sobre as coisas que seu pai lhe contar sobre a infância dele: menos, menos…
Exatamente por isso “arrolei” o Fábio, o Fabinho, o Márcio Rebelo, o Joãozinho e o André como minhas testemunhas, que são de uma idoneidade ímpar, Amaury.
LINDOO..INCLUSIVE A SENSIBILIDADE DA FOTO DO FILINHO DE PAPAI…..
voseis são muito idiota